O início desta série data de 1984, quando estive refletindo sobre a Ilíada, de Homero, e percebi
que os temas em discussão no livro continuam em debate até hoje: guerra, poder, amor, paixão,
solidariedade, honra, dignidade e a relação do ser humano com o mundo espiritual. Quis, então,
criar uma série de trabalhos que estimulassem as pessoas a pensar sobre esses assuntos,
lembrando que, apesar de todo nosso progresso tecnológico e intelectual, a essência do homem se
manteve inalterada.
Não é minha presunção apresentar soluções. Acredito que a função da arte é estimular as pessoas
a encontrar suas próprias soluções, pois cada pessoa vive seu drama particular, sua reali-dade
individual, dentro de uma realidade coletiva. Entendo que não existe uma "verdade" absoluta para
todas as questões.
Também não quis ilustrar a Ilíada. Quis mostrar como eu me sinto em relação aos temas, dentro de
minha experiência. A Ilíada é um parâmetro, e serve para agregar muitos assuntos coerente-mente,
permitindo contrapor, por exemplo, o amor e a paixão à guerra e a violência. Aliás, esse contraste
é essencial ao meu trabalho. Sempre me fascinou podermos experimentar momentos do mais doce
lirismo à mais profunda desolação - a vida não é so-mente rosa, nem somente negra, tampouco
cinza.
Procuro explorar esses contrastes plasticamente: entre a luz e a sombra, nas texturas diversas,
entre linha e forma e no uso da cor. Assim como procuro harmonizar e equilibrar elementos
con-trastantes na pintura, creio que todo ser humano procura harmoni-zar e equilibrar sua vida.